Memória desprezada

Uma cidade que não se preocupa com a preservação da sua memória não está em condições de assumir nenhum tipo de compromisso com o futuro. O Arquivo Histórico de Juiz de Fora, justamente a instituição que tem por objetivo o recolhimento, a organização, a preservação e a divulgação de acervos documentais de relevância para a história de Juiz de Fora e região, sejam estes de caráter público ou privado, é o retrato atual do descaso. Com déficit de estantes, os processos que fazem parte do patrimônio documental do município estão, literalmente, espalhados pelo chão ou dispostos em caixas de papelão acumuladas no piso. São documentos relacionados à Prefeitura, à Câmara Municipal, ao Fórum Benjamin Colucci, incluindo coleções, documentações cartoriais, entre outros. O irônico disso tudo é que o arquivo tem como política promover a conscientização e a preservação desse patrimônio documental. Na página da Prefeitura, a Secretaria de Administração e Recursos Humanos relembra a criação do arquivo em 1973, pelo então prefeito Itamar Franco, dizendo que logo em seguida as atividades foram interrompidas e caíram no esquecimento. ” O acervo ficou, então, condenado ao descaso e ao abandono até que, em 1985, a Prefeitura de Juiz de Fora, através de um convênio com a Universidade Federal de Juiz de Fora, iniciou a implementação de um projeto de organização, arranjo e descrição da documentação de valor permanente/histórico, depositada nos ‘porões’ de um prédio público. A partir de então, deu-se início à recuperação e disponibilização do valioso acervo acumulado. Em julho de 1990, a Lei 7.772 autorizou a criação do Arquivo Histórico”, diz o site oficial. O texto afirma, ainda, que a pesquisa realizada no acervo propiciou o resgate de muitos arquivos “até então relegados ao esquecimento”. Na prática, porém, os documentos custodiados pelo Arquivo Histórico de Juiz de Fora estão sendo mantidos em uma condição inaceitável de desprezo. A Prefeitura alega que os materiais chegaram recentemente e que estão passando por análise para serem incorporados ao acervo. A Administração promete que irá adquirir cem estantes até o final de agosto para armazenar adequadamente o material. No entanto, centenas de pastas estão espalhadas pelo chão. Além disso, o prédio que guarda nossa memória não tem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Os bombeiros dizem aguardar a solicitação do responsável técnico para realizar a vistoria que decidirá pela futura liberação. Com isso, o passado e o presente de 600 mil juiz-foranos está sob risco. Os lugares de memórias não devem ser locais privilegiados de pesquisadores acadêmicos, mas sim um espaço de cidadania, admite a Prefeitura no texto que apresenta o nosso Arquivo Histórico. O lamentável é perceber que não existe espaço digno para preservar a memória da cidade. O post Memória desprezada apareceu primeiro em Tribuna de Minas.

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