A saúde mental nas obras de Machado de Assis

Machado de Assis, já nos anos 1881 e 1882, fez uma análise psicossocial fantástica da época em que viveu. Na obra "o Alienista", a história do Dr. Simão Bacamarte retrata as dúvidas dos profissionais e cientistas da época. O médico decide se aprofundar em psiquiatria para estudar os casos de loucuras da cidade de Itaguaí. Com autorização e ajuda financeira da câmara, Simão constrói a Casa Verde, local que serviu de internação para pessoas consideradas loucas de toda a região. Você já identificou alguma semelhança? Com o passar do tempo, o médico começa a internar pessoas conhecidas na cidade, como o herdeiro Costa, que por emprestar quase toda sua riqueza herdada de seu tio e não cobrar os pagamentos, foi considerado louco pelo alienista. Bacamarte internava qualquer pessoa que julgasse ter perdido o juízo. Mas, devido ao excesso de pessoas, o alienista decide soltar todos da Casa Verde, pois havia chegado à conclusão que “o normal era ser desequilibrado de vez em quando, e o louco era ser equilibrado o tempo todo”. Com bom humor e irônia, Machado nos deixou essa grandiosa obra de ficção que denuncia problemas reais e provoca reflexões ainda nos dias de hoje. Esse é poder da literatura e da arte, que cumprem o seu papel na construção da nossa memória. A série Colônia, livremente inspirada no Holocausto Brasileiro, também é uma obra de ficção. Ela retrata o cenário de horror do Hospital Colônia de Barbacena reacendendo a discussão sobre a reforma psiquiátrica. Os personagens interpretam histórias que realmente aconteceram. Por décadas, pessoas viveram em condições subumanas –disfarçadas de tratamento. Foram 60 mil mortos e a maioria não possuía um diagnóstico de saúde mental. Nesta semana, foi reativada uma Frente Paralmentar em defesa da Reforma Psiquiátrica devido à previsão de uma nova Conferência Nacional de Saúde Mental em 2022, os 30 anos do Fórum Gaúcho de Saúde Mental e às duas décadas da Lei Nacional da Reforma Psiquiátrica. Apesar das iniciativas e alguns avanços, ainda existem muitos interesses políticos e econômicos voltados para o retrocesso.

É preciso combater a barbárie de ontem e de hoje.

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