Série Colônia: “Minha mãe quer que eles me curem”

Esse é Gilberto, personagem da série Colônia, livremente inspirada no Holocausto Brasileiro. Internado no Hospital Colônia, ele é mandado para lá sem saber do que se trata. O pároco da cidade indicou o "tratamento" para sua mãe como uma "salvação" para homossexualidade. Diante de uma sociedade agressiva e intolerante, Gilberto recebia bem o fato de viver dopado com o uso diário de medicamentos. A liberdade de ser quem ele era de verdade era o mais importante. A Série Colônia, dirigida por André Ristum, coloca em cena vários Brasis. Em seu livro Holocausto brasileiiro, Daniela aponta que 70% dos internados não apresentavam registro de doença mental. Eram gays, prostitutas, militantes políticos, mães solteiras, mendigos, negros, pobres. De hospital psiquiátrico, a instituição virou depósito de gente indesejada. Décadas depois, a pauta da "cura gay", o preconceito, a violência de gênero e os abusos permanecem vivos. O Brasil é considerado um dos países que mais mata pessoas LGBT's no mundo. Por isso, a história precisa ser contada. Por isso, a arte precisa representar e expandir este tema para que alcance ainda mais pessoas. Segundo o ator Arlindo Lopes, que interpretou Gilberto, o papel da arte é ser um agente de transformações capaz de dialogar com a sociedade. "Os agentes do estado e município nesse momento agem contra a cultura. Querem moralizar a arte como se o assunto só pudesse ser discutido pela ótica da família colocando mais uma vez uma divisão entre inclusos e excluídos. A arte não se divide entre a direita ou a esquerda. Quem usa desse argumento para defender suas ideias fere o propósito maior que são os temas das obras escolhidas. Isso sim deve ser o centro da discussão. Se nós como parte da sociedade não trouxermos para o foco assuntos que são urgentes mais pessoas continuarão morrendo." @arlindolopesjr

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